Corpo Sangrando...

Ouço tantas vozes chamar-me
Vejo contornos, esses são vultos
Ouvindo melodias, essas são vozes: num tom intumescido.
Ele, quem ouve, vai seguindo caminho, mais uns passos...
Há uma fraca luz que hora se apaga, e se vêem seres por todos os lados
Que o calam.
Ele apenas uma pobre voz, mero pedaço é carne.
Não foi a luz que se apagou, e sim seu próprio brilho a deixar de iluminar...
Aqueles seres manipulam-no gerando devaneios, então que perde a realidade.
Agora são mil luzes estas que tocam-lhe a testa suada, mas sem perceber ao Maior Brilho
Continua segue caminhando em Pleno Escuro, como quem busca algo a se apoiar...
Sente... Dores... Dores...
Intensificam-se dores!

Cai Então, apenas um corpo cansado, estatelado feito um copo.
Quem o vê sabe... Um copo quebrado.

Um Pobre corpo tão fraco está corrompido, não se sustentará novamente, todos dizem
E o vêem assim: num agora imóvel, frio, seco, sem vida, parado.

E vêem, caem gotas em tez pálida e fria, é ouvido um sussurro, uma voz um chamado...
Tempestades elétricas e das nuvens o choro de todos Os Deuses caem de forma Bruta
E parecem purificar aquele corpo dando nova vida.

Um corpo Morto inundado
Um elixir que o faz ter vida
Assim parece até aos que o assistiram.
Mas ainda sim sem força e cambaleante percorre estreitos caminhos
E continuam sussurros, chamados, e caminha
Está inconsciente em passos tropesantes, mas quem o viu há séculos
Parado, frio, pálido, sabia era morte...
Agora estando a caminhar – arrastado- segue involuntário escravo dos passos.

O aguardam há muito.
Estando frente à porta vista do claustro seus olhos seguem-na e olham os passos que ficaram.
Compreender o que antes não entendia, estender a mão abrir a porta, percorrê-la e fechar.
Então, fala! Aqui estou como num labirinto, à ante-sala de minha sela.
Ter deixado a vida, num sussurro, era feito Atal aquela temível àquela e
Que teria penetrado no jardim dela.

Guilherme Souza Pinto 01/03/2007